quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Às vezes amo essa cidade...
Ás vezes quero ir embora... Embora de mim.
Foto: Sergio Berlim

Acabou-se Assim (Ze Manoel)

Acabou-se assim,
Ninguém jamais falou o que aconteceu
E se fecharam nos seus camarins
E se esconderam embaixo dos lençóis.
Acabou-se assim,
E as histórias nunca são reais
E os falastrões anunciavam o fim
Enquanto cada vez se amavam mais.
Acabou-se assim,
Penalizados pela compreensão
E machucados pela decisão,
De se esconderem em baixo dos lençóis,
De se fecharem nos seus camarins,
De se tornarem livres querubins.
Acabou-se assim,
Como se acabam todos (os) carnavais,
Como se queimam os canaviais,
Posto que é vida e um dia vai ter fim.
Enfim,
Se entregaram para qualquer um
Na madrugada de um dia assim
E entorpeceram-se nos cabarés
E adormeceram em trévidos motéis.
E se tornaram alegres pastelões,
Seguindo ao pé da letra as instruções...
E dia a dia se tornavam cada vez mais iguais.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ópera Dido e Eneas em Recife


Pela primeira vez em Pernambuco, a ópera DIDO E ENEAS, considerada o título mais importante do compositor inglês Henry Purcell e grande representante do período barroco, será apresentada nos dias 06, 07 e 08 de novembro às 20h no Teatro de Santa Isabel – Recife/PE.
A linda música de Purcell sublinha a tragédia de Dido, rainha de Cartago, que morre ao ser abandonada por Eneas, príncipe troiano, que sucumbe à malevolência da Feiticeira, inimiga mortal da rainha. A ópera traz cenas de grande beleza dramática, intercaladas por momentos de comicidade, nos quais as bruxas arquitetam seus planos com a feiticeira. Esse é um título que agrada a um público amplo – dos conhecedores aos não iniciados nesse gênero – tanto pela genialidade da composição como por ser uma obra concisa, com pouco mais de uma hora de duração.
O coro Contracantos, formado por 20 cantores, e considerado um dos melhores coros do Nordeste, participa da montagem, assim como uma Camerata Barroca especialmente composta para a ocasião por cordas, flautas, teorba e cravo.

A montagem terá direção cênica de Marcondes Lima, nome de destaque no cenário teatral pernambucano atual, que também assina a criação de cenários e figurinos. A direção musical e regência ao cravo estarão a cargo de Marcelo Fagerlande, nome responsável pela direção de diversas montagens de óperas barrocas em teatros brasileiros. A coordenação geral do projeto está a cargo de Flávio Medeiros, responsável por criativos projetos em torno do canto coral em Pernambuco e no exterior, também encarregado da preparação do coro.

DIVULGAÇÃO

Eu, como aluno de Flávio Medeiros, tenho visto o quanto ele e toda a equipe tem corrido contra as adversidades, como a falta de recursos financeiros, mas nem por isso eles deixam de dar o melhor de sí.

Eu vou prestigiar, bora?

... A gente nunca esquece.

Sei que já faz um tempo que essa matéria foi publicada, mas como eu andava sumido por aquí, estou tentando recuperar o tempo perdido, postando algumas coisas bacanas que aconteceram comigo nesse período.
Essa foi, sem dúvida uma das que me deu maior ânimo!
Obrigado Jo(zé) Teles!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Duas descobertas que têm inspirado os meus ouvidos e os meus olhos.

Marcelo Jeneci
e
Luyse de João Pessoa.

Dei um jeito de juntar os dois no post abaixo.

DAR-TE-EI (Marcelo Jeneci/ Helder Lopes/ Veronica Pessoa/ José Miguel Wisnik)

Esse vai... Mas esse volta :)


Não te darei flores, não te darei, elas murcham, elas morrem.
Não te darei presentes, não te dare, pois envelhecem e se desbotam.
Não te darei bombons, não te darei, eles acabam, eles derretem.
Não te darei festas, não te darei, elas terminam, elas choram, elas se vão...

Dar-te-ei finalmente os beijos meus,
Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus.
Esses embalam... Esses secam... Mas esses ficam.

Não te darei bichinhos, não te darei, pois eles querem, eles comem.
Não te darei papeis, não te darei, esses rasgam, esses borram.
Não te darei discos, não, eles repetem, eles arranham.
Não te darei casacos, não te darei, nem essas coisas que te resgardam e que se vão.

Dar-te-ei a mim mesmo agora,
E serei mais que alguém que vai correndo pro fim.
Esse morre... Envelhece... Acaba e chora... Ama e quer... Desespera... Esse vai... Mas esse volta.

sábado, 10 de outubro de 2009

Dois Corações para um Rio (Juliana Oliveira)

Me vejo cantando
Ouvindo a voz que descobri aqui.
Olho pra ponte que separa o que eu sou e o que era
Me sinto repleta dos anos e das coisas
Que vieram junto com as águas,
E entraram em mim com a claridade do céu alaranjado do sertão
no fim do dia....
São Francisco,
Quanto de ti eu sou...
Deságua em meu coração,
Me enche de luz...
Em mim agora batem dois corações
E ambos são teus
Porque minha cria foi você quem me deu...
Mãe Rio,
Hoje no teu colo deitamos ela e eu.
08/10/2009

sábado, 1 de agosto de 2009

O lado e o Avesso

Todo lado tem o seu outro lado.
Por isso, amar a mão que agride,
por isso, odiar a mão que afaga.
Por isso, é mera sombra a luz esplendorosa
que ao se acender, na verdade se apaga.
Por isso a paz,
por isso a guerra.
Por isso é mentira a vida,
mas é verdade os versos do poeta.

Recife 22/09/08

domingo, 12 de julho de 2009

Agora

Amar, é um verbo que conjugo no singular.
Eu amo.
Sim, eu te amo.
Tu amas...
Decerto que amas. (A quem?)
Os verbos não se justificam,
findam os seus significados em sí mesmos...
Então contento-me com o desejo
de um dia conjugarmos, quem sabe, as nossas vidas.
Conjugarmos,
como nos dias de colégio,
na juvenil leveza que às nossas mãos escapam:
Eu amo.
Tú amas.
Eles amam.
Nós amamos.
Nús, nós amamos.
Nós nos amamos.

Recife 12/07/09